Gráficos do Google Insights mostram diminuição da procura por cursos de jornalismo


O Google Insights é uma ferramenta que calcula quantas vezes uma determinada palavra-chave foi inserida no motor de busca do Google. Os resultados fornecem dados que demonstram a tendência de procura na web por determinados termos no decorrer do tempo. Essas tendências virtuais podem coincidir com dados da vida real.

Para entender melhor como isso funciona – antes de refletir sobre a diminuição da procura pelos cursos de jornalismo – observe o gráfico abaixo. Ele representa as buscas pela palavra-chave “dengue”, de 2004 até 2011, com previsão (linha pontilhada) para 2012:

Gráfico do Google Insights para a palavra-chave "dengue"
Gráfico do Google Insights para a palavra-chave “dengue”

A título de comparação – para comprovar minha tese de que esses dados podem bater com os dados da vida real – vamos utilizar um gráfico de uma outra ferramenta do Google. O Google Trends Dengue:

Gráfico do Google Trends Dengue
Gráfico do Google Trends Dengue

Observe como os picos das linhas em azul do gráfico do Google Insights e do Google Trends Dengue são semelhantes. E observe também que, a linha cor de laranja representa os dados da vida real sobre a dengue, fornecidos pelo Ministério da Saúde.

Isso faz do Google Insights uma ferramenta muito interessante para a análise de tendências não apenas virtuais, mas reais. Apesar de o aplicativo não conseguir gerar gráficos para termos com poucas buscas como, por exemplo, as palavras-chave “jornalismo freelance” que dão título a esse blog, é possível gerar gráficos, bem como levantar informações regionais compatíveis com informações levantadas por instituições idôneas, como é o caso do Ministério da Saúde.

A diminuição das buscas pelos cursos de jornalismo Leia mais deste post

Após 119 anos de existência, Jornal do Brasil deixa de ser impresso


Fundado em 1891, o Jornal do Brasil (JB) é um dos mais antigos periódicos nacionais. Durante muito tempo foi trabalho e escola para inúmeros jornalistas, diagramadores e fotojornalistas, sem falar nos prestadores de serviços autônomos, nos profissionais do jornalismo freelance e terceirizados.

O JB será 100% digital a partir de setembro de 2010. Mas em seus 119 anos na versão impressa foi local de trabalho e de estudo de centenas de jornalistas, fotojornalistas e diagramadores, além de profissionais autônomos como os que se dedicam ao jornalismo freelance. Foto: oglobo.globo.com
O JB será 100% digital a partir de setembro de 2010. Mas em seus 119 anos na versão impressa foi local de trabalho e de estudo de centenas de jornalistas, fotojornalistas e diagramadores, além de profissionais autônomos como os que se dedicam ao jornalismo freelance. Foto: oglobo.globo.com

O JB foi, também, pioneiro em, pelo menos, três fatores:

  1. Interior das páginas: primeiro a eliminar os fios que separavam as colunas;
  2. Internacional: participação de correspondentes estrangeiros;
  3. Internet: primeiro jornal brasileiro a se tornar online.

Mas a partir do dia 1º de setembro de 2010, o JB deixará de circular em sua versão impressa. Dessa forma, o jornal assume, mais uma vez, uma posição vanguardista ao se tornar o primeiro 100% digital do Brasil.

Controvérsias

Alguns jornalistas que trabalharam no JB não se conformam com aquilo que denominam a “decadência” e com a alegação de que o periódico está inovando ao eliminar a versão impressa para trabalhar apenas com a versão digital. Leia abaixo algumas dessas opiniões controversas, publicada na revista “Negócios da Comunicação”, na reportagem intitulada “O triste fim de um centenário”  que colocam a culpa na má administração:

“O JB entrou em coma ainda com Nascimento Brito, na direção administrativa como representante de sua mulher, Leda, proprietária da empresa e co-responsável pela decadência do jornal.”

Jânio de Freitas, ex-editor geral.

“Em 1986, assumi a sucursal de São Paulo. Os problemas financeiros já eram conhecidos. Entretanto, não admitiam que não havia dinheiro para renovar o aluguel de meio andar na avenida Paulista. Qual foi a solução? Alugar um andar inteiro, claro, na avenida Paulista.”
 
Augusto Nunes, ex-chefe da sucursal em São Paulo, identificando a má administração nos gastos excessivos.

“Nenhum jornal morre de uma hora para outra. Infelizmente não foi nenhuma surpresa, a situação era muito difícil e mais do que cantada.”

Ricardo Noblat, ex-chefe da sucursal em Brasília.

O principal argumento do JB é o vanguardismo

No dia 22 de agosto de 2010, o JB se defendeu dessas e de outras críticas ao divulgar uma lista com 50 tópicos que explicam os motivos da posição tomada pelo dono do jornal, Nelson Tanure. A seguir, você poderá ler a síntese desses argumentos:

  • Vanguardismo: primeiro jornal 100% digital do Brasil;
  • Pesquisas: o JB convidou leitores para opinarem sobre as plataformas digitais e obteve um retorno positivo com relação à mudança;
  • Sustentabilidade: a impressão do jornal causa um enorme impacto ecológico e econômico por conta da utilização da celulose;
  • Futuro: os leitores de amanhã são leitores digitais;

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