Entrevista: o Jornalismo freelance de Isabela Pimentel


Isabela Pimentel é formada em Jornalismo pela UFRJ e nessa entrevista ela comenta assuntos ligados ao Jornalismo freelance

Isabela Pimentel é formada em Jornalismo pela UFRJ e nessa entrevista ela comenta assuntos ligados ao Jornalismo freelance

Isabela Pimentel é carioca formada em Jornalismo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e, desde janeiro de 2011, trabalha com Jornalismo freelance. Ela é a criadora das comunidades “Jornalistas Freelancers do Brasil” e “Vitrine Digital para Jornalistas”, dois grupos que até o momento da publicação desse post (10/3/2012) somam quase 4 mil participantes no LinkedIn, e que servem como espaço de debate da profissão e para expor vagas de trabalho no ramo da Comunicação.

Nessa entrevista Isabela fala sobre sua rotina, dá dicas sobre como aproveitar o LinkedIn e explica como conseguir freelas nas redes sociais. Confira:

Naldo Gomes: você está trabalhando apenas com freelas ou tem um trabalho assalariado?

Isabela Pimentel:

Tenho sim, um trabalho fixo. Os freelas são trabalhos paralelos.

Naldo: como é a sua rotina de trabalho?

Isabela:

Eu faço algumas coisas na parte da manhã porque costuma ser mais tranquilo. Também trabalho durante o horário do almoço e deixo algumas tarefas para o final do dia, para não misturar com os outros compromissos.

Naldo: e o seu trabalho fixo é em qual horário?

Isabela:

Das 9h às 18h.

Naldo: então você usa períodos do trabalho fixo para fazer os freelas?

Isabela:

Não, utilizo apenas os intervalos. Mas quando é produção de matérias eu consigo fazer nos finais de semana ou no período noturno. Quando preciso ligar para fazer entrevistas, uso o horário do almoço.

Naldo: e quando está fora do escritório você usa um Home Office?

Isabela:

Sim, na parte da noite, que é o horário que sobra.

Naldo: você não usa escritórios coworking?

Isabela:

Não, nunca utilizei, mas aqui no Rio de Janeiro tem um muito famoso chamado Bees Office, que os meus amigos costumam usar.

Naldo: você costuma usar o escritório do próprio cliente para fazer seus freelas?

Isabela:

Não, ainda não faço isso. Até porque eu me formei há pouco tempo e não tenho tantos clientes assim para viver somente de freela. Então, tenho que conciliar os freelas com o trabalho fixo. Os freelas são um complemento da minha renda.

Naldo: e como você faz para manter um bom fluxo de trabalho mensal? Todo mês você tem um freela para fazer?

Isabela:

Esse ano está sendo assim, mas no ano passado eu fiquei bastante tempo sem ter. O meu primeiro trabalho em Jornalismo freelance foi em janeiro do ano passado, que foi o lançamento de uma rede social chamada Supertau. Naquele ano eu fiz dois trabalhos grandes em assessorias, que duraram dois ou três meses cada um. Quando é para escrever matéria é mais rápido. Hoje, por exemplo, nessa madrugada, tenho duas matérias para terminar.

Esses trabalhos surgiram a partir do LinkedIn. Tem um grupo lá chamado “Assessoria de Imprensa”. Eu comecei a participar desse grupo, pois estava querendo sair de um emprego em uma agência onde eu não tinha muitas oportunidades e onde os clientes que eu atendia não eram meus e o meu nome não era divulgado junto aos trabalhos que fazia, mas somente o nome da empresa.

Eu queria fazer um trabalho por mim mesma e como eu atendia clientes na área jurídica, na área de esportes, eu comecei a procurar alguns escritórios de advocacia e comecei a fazer propostas para vários escritórios do Rio de Janeiro. Fui a algumas reuniões, mas não consegui nada porque achavam os valores altos demais. Porém, essas propostas resultaram nos meus primeiros contatos com possíveis clientes, por meio de reuniões.

Em seguida, eu comecei a usar o LinkedIn e criei dois grupos. Também entrei no já citado grupo “Assessoria de Imprensa”, onde havia um rapaz de Campinas dizendo que queria um jornalista para fazer um orçamento para um trabalho de um mês que consistia em lançar uma rede social no Brasil, que por acaso é uma rede social de freelancers, a também já citada Supertau. Aí eu fiz um plano de mídia e apresentei a proposta. Ele ficou de acordo com o valor e, a partir daí, nós discutimos o plano de mídia durante um mês antes do lançamento. Lançamos a rede em janeiro de 2011. Esse trabalho durou até fevereiro, mais ou menos.

Depois, o meu segundo cliente grande de assessoria, que eu atendi sozinha, foi uma indicação do primeiro cliente. Foi uma empresa de engenharia, que é um tema bem difícil, mas também foi um trabalho legal.

Naldo: você reserva algumas horas da semana para ligar para potenciais clientes e fazer propostas?

Isabela:

Eu não costumo ligar não. A maioria dos meus trabalhos freelancers eu consegui pelo LinkedIn. Outro trabalho que fiz foi uma revista para a Câmera de Comércio do Mercosul, que fica em São Paulo. Também já fiz trabalhos para o site Administradores.com.br, para a Revista Administradores e para a Revista em Família, sobre família brasileira. Fiz muitos outros trabalhos, que você pode conferir no meu currículo disponível no LinkedIn.

Naldo: Isabela, não entendo bem como funciona esse negócio do LinkedIn. Vejo que as pessoas enviam seus currículos, portfólios, blogs, etc, mas a impressão é que os anunciantes nunca respondem e as pessoas ficam a ver navios.

Isabela:

É, geralmente, eles não respondem. É muito complicado isso. E nunca ninguém tinha me respondido até janeiro do ano passado. Talvez eles não respondam porque achem que o seu valor está muito alto para uma pessoa que é recém formada, ou acham que está muito alto porque receberam propostas mais baixas e não querem pagar. Mas funciona mais ou menos assim: você precisa conseguir o primeiro. Depois que você conseguir o primeiro, os seguintes vão acontecer por indicação.

Os trabalhos também podem aparecer por você participar muito das atividades do grupo, especialmente nos grupos do LindedIn. Por exemplo, houve um freela que eu fiz para uma revista de saúde que fica na Bélgica. Eles colocaram uma proposta no LinkedIn e pediram para colocar o currículo em inglês. Eles me mandaram os contatos e aí eu fiz uma matéria para eles… Na verdade, eu consegui esse trabalho por causa das palavras-chave. Eu coloquei “jornalista freelancer” várias vezes no meu perfil e quando a cliente da Bélgica viu as palavras-chave no meu currículo em inglês “jornalista freelancer na área de saúde” ela acabou me encontrando.

Naldo: você tem enviado pautas por telefone ou e-mail para trabalhos em revistas?

Isabela:

Eu prefiro fazer freelas em produção de conteúdo. Agora eu estou fazendo uns trabalhos para a editora Alto Astral, de São Paulo, que tem revistas como “Toda Teen”, “Malu”, umas revistas famosas. E eles estão lançando agora umas revistas de decoração voltadas para a Classe C.

Naldo: você elabora as pautas ou eles já as enviam prontas?

Isabela:

Eles me mandam prontas.

Naldo: voltando ao trabalho que você fez para o cliente da Bélgica, só por curiosidade, eles pagaram em dólar, em dinheiro eletrônico, como foi?

Isabela:

(Risos) Não… Eles ainda não pagaram.

Naldo: e faz quanto tempo que você fez isso?

Isabela:

Ah, já faz um mês. No contrato está escrito que são necessários 60 dias para a aprovação da matéria. Bom, eu espero que eles paguem. Mas isso acontece também… De não receber. No meu caso, eu já recebi com atrasos, mas nunca deixaram de me pagar.

Naldo: como um jornalista pode se prevenir do “não pagamento”? E como um jornalista freelance pode evitar o trabalho precário, aquele que cujos valores propostos estão muito abaixo da tabela?

Isabela:

Os clientes dificilmente pagarão um valor de tabela para pessoas que estão se formando ou são recém-formadas. Por exemplo, na semana passada eu fiz uma proposta para uma clínica de acupuntura e o médico é relativamente conhecido aqui no Rio e achou o valor muito alto e recusou. Eu readequei o valor para mais ou menos o que ele queria e, ainda assim, ele recusou. Então, eles geralmente acham que você é muito novo, que não tem experiência, que não vai dar certo.

Outra coisa é que, quando você faz freela sozinho, as pessoas acham muito caro ter que pagar um determinado valor para uma pessoa só. Eles preferem pagar um pouquinho a mais para uma assessoria que seja uma empresa.

Naldo: e como você se defenderia se um cliente resolver que não vai pagar?

Isabela:

Eu, sempre que posso, incluo uma cláusula no contrato que diz que eu somente iniciarei o trabalho depois que cair a primeira parcela. O valor da primeira parcela pode ser 1/3 ou metade. Eu peço para o cliente escanear o comprovante do depósito e me enviar por e-mail. Bom, tudo tem que ter o contrato, assinado entre duas partes, tudo direitinho.

Naldo: você criou o grupo “Vitrine Digital” e “Jornalistas Freelancers do Brasil” que, somando, tem quase 4 mil membros. Você já me disse que consegue a maioria dos trabalhos freelas por meio de grupos como esses e agora eu gostaria que você me dissesse o que mais acontece de importante dentro dessas comunidades? Como essas comunidades podem ajudar o jornalista que está tentando entrar nesse meio agora?

Isabela:

Os grupos têm pessoas que procuram jornalistas que são do grupo e, então, participar sempre é uma forma de obter visibilidade. Além das ofertas de trabalho, os grupos são bons para fazer contatos.

Naldo: qual a diferença dos grupos do LinkedIn e os grupos do Facebook, na sua opinião?

Isabela:

No Facebook, eu participo de um grupo criado por uma amiga minha, que é muito atuante aqui no Rio de Janeiro, onde fazemos muitos encontros de jornalistas. E no Facebook também tem um grupo de jornalistas do Rio de Janeiro, só que não é considerado tão profissional quanto os grupos do LinkedIn. O Facebook ainda é visto como de ‘uso pessoal’, eu acho.

Debates fora das redes sociais também podem funcionar. No ano passado eu organizei dois encontros, sendo um no Sindicato dos Jornalistas e outro em uma associação. Nesses eventos a gente troca cartões e muitas pessoas conseguem trabalhos.

Naldo: e como funcionam esses encontros? Fale mais sobre eles.

Isabela:

No primeiro encontro que a gente fez vieram pessoas de São Paulo, havia italianos que moravam no Brasil, vieram muitas pessoas. A gente se apresenta, troca cartões, e define um tema para debate. Isso pode acontecer em um restaurante, em um bar. Esse é um tipo de encontro.

Naldo: Está bem. Nossa entrevista já está chegando ao fim. Gostaria de saber quais são os seus projetos para o futuro…

Isabela:

Estou terminado a pós-graduação e quero trabalhar em uma grande empresa, mas no futuro, eu pretendo ter uma empresa própria de comunicação integrada, que é o tema da minha pós-graduação… Uma empresa que forneça serviços de design, marketing… Já tentei fazer isso com um grupo de freelas, para chegar para um cliente com uma proposta só. Eu me uni a um amigo que era de marketing, outro de programação e eu com a parte de conteúdo., para fazer isto. Acabou que não deu certo, mas a ideia é boa porque aí você pode cobrar um pouco mais e dividir para três pessoas.

Naldo: você gostaria de falar sobre algo que não perguntei?

Isabela:

É difícil você sair da faculdade e começar a trabalhar com Jornalismo freelance, é bem complicado. Acho que, primeiro, é necessário passar por alguma agência, ou ter algum trabalho que te propicie conhecer outras pessoas. Eu comecei por acaso, atendendo um cliente da área jurídica, e tive essa ideia de começar a apresentar propostas de assessoria para esses escritórios.

Acho que o melhor a fazer é ter um blog, um currículo, que fale sobre uma área que você tem interesse. É bom você definir um nicho. “Vou querer trabalhar e fazer freelas em revistas de saúde”, por exemplo… É bom pegar uma coisa com a qual você já tenha experiência e fazer as propostas para as empresas. Há muitas empresas que têm produtos legais, mas não sabem que podem ter assessoria. Por exemplo, uma empresa que faz camisas com panos sustentáveis e não tem assessoria… E você está na faculdade ainda, mas tem uma ideia, você pode fazer uma proposta para eles… Ou uma proposta para reformular um site.

No começo é muito mais ir atrás do que receber uma proposta. Para ter muitos contatos na área, você primeiro precisa correr atrás.

O twitter também é muito legal, pois há muitas oportunidades de freelas nessa rede social. Eu entro todos os dias para procurar. O negócio é procurar… Tem que procurar bastante.

Naldo: ok, Isabela. Muito obrigado pela sua participação nessa entrevista.

Isabela:

Espero que eu tenha ajudado.

Para mais entrevistas com jornalistas freelancers, veja os vídeos do post “Três vídeos do YouTube sobre Jornalismo freelance e jornalistas empreendedores“.

É isso, por hoje, caro leitor! Pretendo bater um papo com mais profissionais em breve e postar tudo aqui no blog Jornalismo Freelance.

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Sobre Naldo
Jornalista e escritor.

2 Responses to Entrevista: o Jornalismo freelance de Isabela Pimentel

  1. Jornalista says:

    Isabela, voce saberia informar quais os valores de pagamento considerados razoáveis para jornalistas freelance? Digamos uma matéria de 7,500 caracteres, qual seria o pagamento justo?

    • Naldo says:

      Os sindicatos de jornalistas de São Paulo, do Rio de Janeiro, do Paraná, e de outros estados brasileiros, disponibilizam tabelas com preços padrões em seus sites. Tente encontrar uma tabela dessas no site do sindicato do seu estado ou pesquise as tabelas de outros sindicatos para ter uma base.

      Abraço e boa sorte!

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