Três referências em jornalismo freelance


Estive lendo alguns textos do escritor e mestre do empreendedorismo brasileiro, Fernando Dolabela, e tive a ideia de produzir esse post que você está lendo agora quando Dolabela comentou que todo empreendedor tem suas referências.

Da esquerda para a direita, os jornalistas Maurício Oliveira, Juliana Cunha e João Marcos Rainho, boas referências em jornalismo freelance

Da esquerda para a direita, os jornalistas Maurício Oliveira, Juliana Cunha e João Marcos Rainho, boas referências em jornalismo freelance

Apesar de eu não ser um empreendedor nato, mas apenas um estudante buscando um caminho dentro do jornalismo, tenho uma pequena lista de referências de jornalistas empreendedores. Ela é constituída por pessoas – cada uma no seu estilo – que disseram coisas indispensáveis para quem quer encontrar um rumo trabalhando com jornalismo freelance. Confira:

Referência 1: Juliana Cunha

A jornalista Juliana Cunha postou há algum tempo em seu blog “Já matei por menos e já escrevi por mais“, um artigo escrito em linguagem bastante descolada e chamado Algumas dicas para freelas. Esse texto tem 17.445 caracteres com espaços – contando com o título -, mas parece que tem 400 mil, tantas são as informações relevantes sobre o ofício.

Ilustração do blog "Já matei por menos e já escrevi por mais" da jornalista Juliana Cunha

Ilustração do blog “Já matei por menos e já escrevi por mais” da jornalista Juliana Cunha

Para ficar com um gostinho do estilo da Juliana, dá uma lida nessas citações retiradas do texto original:

“Eu sou freela em São Paulo há um ano. Pouquinha coisa, mas já deu para aprender algo. A primeira coisa que eu aprendi é que as matérias e livros que dão dicas para quem quer ser freelancer foram escritos por pessoas paranóicas e suecas. A única conclusão que você pode tirar dessas matérias é que ser freela é caríssimo e dificílimo.”

***

“Nesse ano de trabalho fiz freelas para: Folha de São Paulo, Superinteressante, Capricho, Viagem e Turismo, Catraca Livre, Oi Moda, Humana Editorial, Revista Literatura, Vice, YouTag e para algumas empresas. Eu fiz isso sem grandes contatos, sem ser nenhum exemplo de dedicação incondicional ao trabalho e sendo uma repórter apenas remotamente experiente.”

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“Mandando pautas. Olhe seu Google Reader, leia jornal de fora ou ande na rua pensando no que seria pauta e para qual veículo. Quando tiver algumas, procure o e-mail do editor do caderno ou revista que te interessa e mande para ele com uma cópia do seu currículo no corpo do e-mail e, de preferência, alguns links de matérias publicadas por você. Se não tiver matéria publicada, dê seus pulos, mande links de posts bons e relevantes no seu blog. Se vire.”

Gostou? Eu virei fã da Juliana depois que li esse post. Ótima referência!

Referência 2 – João Marcos Rainho

O estilo de João Marcos Rainho é o do empreendedor nato. Aliás, o título do seu livro já deixa isso bem claro logo de cara: “Jornalismo Freelance: Empreendedorismo na Comunicação“. Rainho tem um texto limpo, objetivo, despojado, e foi o primeiro a emplacar um livro sobre jornalismo freelance no Brasil contemporâneo.

Capa do livro "Jornalismo Freelance: Empreendedorismo na Comunicação", de João Marcos Rainho

Capa do livro “Jornalismo Freelance: Empreendedorismo na Comunicação”, de João Marcos Rainho

Leia alguns trechos da obra de Rainho:

“A informatização e os novos processos de racionalização e redução de custos limitaram o crescimento dos postos de empregos fixos – apesar do aumento do número de veículos impressos, televisivos e agências de comunicação. Paralelamente a esse processo, cresceu a prestação de serviços freelance para atender às novas configurações das redações. Quando não está a serviço da precarização do trabalho, o freelance representa uma atividade regular positiva e empreendedora.”

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“O jornalista hoje é cada vez mais contratado por tarefa, seja na redação de jornais, revistas, sites, TVs, rádios, agências noticiosas e assessorias. Não adianta mais querer se apegar a funções, a editorias ou sonhar em fazer carreira interna. Isso pode até ocorrer, mas o jornalista terá de ter espírito empreendedor. Precisará trabalhar como se fosse um prestador de serviços; todo seu tempo terá de ser dirigido para a execução de uma tarefa, não mais para cumprir um horário burocrático.”

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“Pesquise o mercado. Telefone para editores e verifique a real disponibilidade de trabalho frila. Envie sugestões de pauta. Entre em contato com assessores de imprensa e empresas que contratam assessorias de imprensa com que você teve algum tipo de relacionamento. Se ninguém responder, não existe demanda na empresa que você está contatando. Não crie falsas expectativas.”

O livro de Rainho é extremamente contextualizador e abrange vários temas que cercam o jornalismo freelance, tais como a abertura de uma empresa para fornecer notas fiscais, os direitos autorias, as questões éticas e a formatação do preço, dentre outros assuntos. Indispensável!

Referência 3 – Maurício Oliveira

Uma das referências do jornalista Maurício Oliveira é o sociólogo da criatividade, o italiano Domênico de Masi que, por sua vez, foi citado no meu blog no post “10 escritórios coworking para a prática do jornalismo freelance“. Bem, eu estou comentando isso por dois motivos. O primeiro é porque o próprio jornalista escreveu em seu livro “Manual do Frila: o Jornalista Fora da Redação” a respeito de sua admiração pelo mencionado sociólogo e o segundo é para dizer que todo mundo tem suas referências, até mesmo os que estão no topo em suas áreas de atuação, como é o caso de Oliveira.

Capa do livro "Manual do Frila: o Jornalista Fora da Redação", de Maurício Oliveira

Capa do livro “Manual do Frila: o Jornalista Fora da Redação”, de Maurício Oliveira

Ele já trabalhou como empregado fixo em várias redações do país, mas diz que não troca sua vida de frila por nenhum emprego fixo. Leia alguns trechos de seu livro a seguir:

“Acho importante deixar claro, desde o início, o que compreendo como trabalho freelancer. Refiro-me a profissionais que têm liberdade para se relacionar simultaneamente com mais de um contratante e não precisam cumprir expediente em nenhum deles.”

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“Quando eu me tornei freelancer, estava com 31 anos e podia ao menos falar a quem não me conhecia que havia trabalhado na Gazeta Mercantil e na Veja, duas publicações reconhecidas como boas formadoras de mão de obra. Hoje ficou ainda mais fácil usar o currículo como argumento, pois nos últimos sete anos escrevi para publicações como Exame, Você S/A, Valor Econômico, O Estado de São Paulo, VIP, Superinteressante e Horizonte Geográfico. Mesmo assim, uma lista de publicações atuais para as quais já se colaborou não garante nada por si só.”

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“Se o freelancer especialista já não tem uma vida monótona, o generalista corre um risco ainda menor de cair na rotina. A qualquer momento pode surgir um novo trabalho ou uma viagem inesperada. Começar a semana sem saber exatamente o que vai acontecer é ótimo, ao menos do meu ponto de vista. Há quem prefira viver com mais estabilidade e planejamento – para esses, a vida de autônomo certamente não é recomendável.”

Oliveira tem um estilo bem descontraído, de modo que a leitura de seu manual é bem agradável.

Juliana, Rainho e Oliveira. Essas são as minhas três referências em jornalismo freelance. Espero que você, estudante de jornalismo que ainda não se descobriu como profissional, também possa encontrar nelas os parâmetros para sustentar a própria carreira.

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Sobre Naldo
Jornalista e escritor.

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