10 dicas para quem quer trabalhar com jornalismo freelance


Você é estudante e está pensando em trabalhar com jornalismo freelance? Por que não começar agora? Observe essas dicas:

Levante hipóteses

Levante hipóteses

  1. Pauta: a primeira preocupação que um estudante deve ter – se pretende trabalhar com jornalismo freelance – é conseguir pautas. Ele deve escolher as editorias com as quais tem mais afinidade e, em cada uma delas, encontrar boas hipóteses. Se a editoria é “Saúde”, por exemplo, seria uma boa ideia levantar hipóteses sobre doenças provocadas pela nanotecnologia, pois trata-se de um assunto relativamente novo e pouco abordado. Muitos estudantes de jornalismo ficam sonhando em ter um escritório, fazem planos, colocam outras coisas no topo da lista, quando o que deveria estar lá é, única e simplesmente, a pauta. Sem ela não haverá trabalho a fazer;

    Procure os editores

    Procure os editores

  2. Editor:depois de elaborar uma pauta ou uma pré pauta, o estudante deve apresentar as informações para um editor. Essa parte é moderadamente difícil porque não se acham os telefones dos editores por aí. E custa para os editores acreditarem que um estudante de jornalismo possa fazer um bom trabalho. Por isso, é melhor não querer escrever para a Folha de S.Paulo logo de cara. É mais prudente – nesse início de carreira – apresentar a pauta em veículos menores (a não ser que o estudante tenha conseguido tirar aquela fotografia ou feito aquela entrevista com um vip, num evento importante). Outra boa ideia é escrever algumas matérias de graça para conquistar experiência, ampliar contatos e iniciar um portfólio.  Agora, é claro que gênios precoces do jornalismo não precisam seguir essa dica. No site da Associação Nacional de Editores e Publicadores de Revistas (Anatec) é possível encontrar uma lista de revistas para as quais se pode ligar e perguntar quem é o editor de cada uma delas e se eles trabalham com jornalistas freelancers. Para acessar as listas, clique no menu “Publicações”, à esquerda, e selecione por segmento ou por título;

    Revise e revise

    Revise e revise

  3. Escrever:é importante dizer que essas dicas são para os alunos que querem trabalhar na apuração e produção de textos. E quem quer trabalhar nessa área deve mostrar que sabe escrever bem. Mas qual de nós consegue escrever um texto perfeito ou quase perfeito sem revisão? Não foram poucas as vezes em que vi reportagens sobre esses escritores que lemos para o vestibular, nas quais eram mostrados seus rascunhos rabiscados, rasurados, reavaliados, analisados, corrigidos e recorrigidos. Assim, é bom pensar nos textos de uma matéria, de uma pauta ou de uma pré pauta, como um diamante bruto que precisa ser lapidado. Portanto, o segredo para escrever bem é ter paciência para revisar uma, duas, três, ou, quantas vezes forem necessárias, até que o texto ganhe um padrão de qualidade digno de ser apresentado para um editor;

    Amplie o repertório

    Amplie o repertório

  4. Repertório:o estudante precisa se acostumar, desde cedo, a ampliar seu repertório. Quanto mais coisas novas ele puder aprender, maiores as possibilidades dele desenvolver pautas  interessantes e conseguir emplacá-las em bons veículos de informação. Além disso, um repertório extenso ajuda na hora da produção do texto propriamente dito. O repertório, esse conjunto de conhecimentos adquiridos em áreas diversas fornece a base para associações de ideias, o que pode tornar o texto mais rico e, em última análise, pode impressionar leitores e editores.  Então, o estudante deve viajar para lugares ainda desconhecidos para ele, ler sobre assuntos diversos, participar de feiras e congressos de áreas distintas,  aprender novos idiomas, novas culturas, assinar as newsletters das assessorias de imprensa, enfim, procurar por tudo o que é “novo”, pois essa é a palavra chave para ampliar o repertório. Não é preciso dizer que isso tudo leva tempo. E nesse tempo não se pode deixar de fazer o essencial em jornalismo freelance: elaborar e enviar pautas para editores;

    Smartphones ajudam

    Smartphones ajudam

  5. Tecnologias:toda a tecnologia que um estudante precisa para trabalhar como jornalista freelance é: um telefone, um computador, um gravador e um plano de utilização da internet. Quando comecei a fazer frilas, passei algum tempo usando os computadores e a internet do laboratório da faculdade e só tinha um celular que nunca era carregado e que, por isso, só recebia ligações. Hoje há smartphones muito baratos, tais como o Galaxy 5, com o qual é possível acessar a internet durante todo o dia por apenas R$ 0,50 num plano da TIM. Se o estudante puder adquirir um destes, a comunicação com os editores pode ficar bem mais ágil e melhor. Quanto à máquina fotográfica, faz bem ter uma, mas se não tiver não será problema. Pode-se combinar com o editor o uso de fotografias de bancos de imagens ou solicitar que ele envie um fotógrafo;

    A cidade é o escritório

    A cidade é o escritório

  6. Escritório:  definitivamente, o estudante não vai precisar de um escritório muito elaborado. Um cantinho silencioso é o bastante para se concentrar nas pautas e textos. Uma vez por semana ou a cada quinze dias, pode-se ir trabalhar num escritório coworking para “fazer um social” (como se diz na linguagem informal). Duas ou três vezes num mês pode-se ir em lugares como o Centro Cultural, em São Paulo, que possui espaço amplo e internet wi-fi gratuita (basta levar o note book, net book ou smartphone para acessar). A Biblioteca Mário de Andrade também é outra ótima opção, pois possui mesas amplas e acesso a livros para pesquisa. Além do mais, estão sendo instaladas antenas para internet wi-fi e o lugar fica no Centro onde, a qualquer momento, pode surgir uma pauta como o estouro de uma greve ou algo parecido para apurar, fotografar e enviar para os veículos de comunicação;

    Pense na aposentadoria

    Pense na aposentadoria

  7. INSS: ser independente tem as suas desvantagens e, uma delas, é que não há um departamento de RH para cuidar do recolhimento do INSS. É o estudante quem deverá fazer isso, se quiser ter uma aposentadoria. Infelizmente, o sistema de Microempreendedor Individual (MEI) não funciona com profissões intelectuais como a de jornalista freelance. Assim, o estudante deve comprar o carnê e pedir ajuda para o pessoal do banco na hora de preencher. Depois de pagar, convém guardar as guias. Tudo bem que trabalhar com jornalismo é muito empolgante, mas o estudante deve ter em mente que não fará isso para sempre. Um dia ele terá que parar e é bom que ele tenha uma aposentadoria nessa hora;

    O preço justo

    O preço justo

  8. Preços:o sindicato dos jornalistas (em qualquer Estado) geralmente possui tabelas com preços de referência para trabalhos a serem realizados por jornalistas freelancers. Mas, no geral, quem decide quanto vai pagar é o editor. Cabe ao jornalista aceitar ou não. O editor já tem um valor separado para o trabalho, por isso, não adianta vir o jornalista freelance e querer exigir o que está na tabela do sindicato. Mas se o valor for muito baixo, convém não realizar o serviço e buscar outros clientes;

    Aproveite as oportunidades

    Aproveite as oportunidades

  9. Trabalhos: o jornalista freelance deve escrever para revistas e jornais, mas não deve dispensar os trabalhos de ghost writer, as fotografias, os serviços provenientes da internet, os trabalhos de diagramação, dentre outros. Nesse sentido, o negócio é ficar de olhos bem abertos e aproveitar as oportunidades. Às vezes, perde-se uma oportunidade porque não se tem os recursos necessários. Lembro-me de ter perdido uma porque não dominava o idioma inglês (ainda não domino). O trabalho era para a Revista CD-ROM da Editora Europa. Eu tinha que desvendar os segredos de alguns aplicativos que o editor me enviava e escrever o artigo contando tudo o que havia encontrado. Acontece que alguns dos aplicativos vinham em inglês e muitos possuíam gírias, coisas do tipo que eu não conseguia encontrar nos dicionários. Então, tive que abandonar o trabalho;

    Guarde os contatos

    Guarde os contatos

  10. Contatos: o estudante deve aprender a, desde cedo, guardar os contatos das fontes e dos editores numa agenda apropriada. De preferência numa agenda de papel. Mas se o estudante aspirante a jornalista freelance tem um smartphone, é bom ter esses contatos armazenados para uso instantâneo.

Quem trabalha com jornalismo freelance sabe que a autonomia é a maior vantagem da área. É possível escolher horários para trabalhar e ainda sobra tempo para assaltar a geladeira. Volto a dizer que uma coisa muito importante é fazer a contribuição ao INSS e, se a demanda de trabalho for grande, deve-se pensar na possibilidade de abrir uma empresa, pois assim se poderá emitir notas fiscais e evitar a compra de recibos do editor.

Se você já é jornalista freelance, fique a vontade para deixar na guia abaixo outras dicas que não foram comentadas nesse post. E se você é estudante, fique a vontade para tirar dúvidas e falar sobre os seus primeiros trabalhos. Até a próxima!

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Sobre Naldo
Jornalista e escritor.

5 Responses to 10 dicas para quem quer trabalhar com jornalismo freelance

  1. Raquel de Póvoas says:

    Olá! Poderia tirar uma dúvida? Vi que não posso ter o MEI sendo jornalista freelancer. No meu caso, presto serviços em mídias sociais e dou aulas sobre isso. Alguma descrição de MEI se encaixa nessas atividades? Caso não, sobre emitir notas fiscais aos meus clientes, como posso proceder? Muito obrigada!

  2. Noemi says:

    Amigo, dá para ser MEI (Microempreendedor Individual) como editor de revista, livro e jornal. Eu faço isso para dar nota nos meus freelas de jornalismo, revisão e preparação de texto.

    • Naldo says:

      Olá, Noemi.
      De acordo com a descrição de funções do CNAE, as funções de editor não cobrem a atividade de jornalismo freelance. Portanto, ao proceder assim, você não está em conformidade com a Lei.

  3. obg me ajudou muito
    love rebeldeeeeeeeeeeee

    • Naldo says:

      Que bom, Giovana!

      No sábado 15 vai rolar um curso de JORNALISMO FREELANCE com o autor do livro homônimo, João Marcos Rainho. Se der, cola lá. Aqui vai o link do curso: http://www.escoladecomunicacao.com.br/conteudo/teor.asp?id_curso=1171

      Abraço!
      Naldo

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