Como organizar um arquivo de pautas para uso em jornalismo freelance


A dica deste post diz respeito a uma coisa muito básica para quem quer trabalhar com jornalismo freelance: A organização de pautas. Esta dica é endereçada aos estudantes de jornalismo do primeiro semestre ou aqueles que estão pensando em ingressar na faculdade de jornalismo.

No entanto, as informações apresentadas aqui não são para os gênios que conseguiram entrar na USP ou em Harvard, mas sim, para os heróis que vão estudar ou já estudam nas “UniSant’Annas”, nas “UniMarcos” e nas “UniNoves” da vida. Digo heróis porque a maioria desses estudantes terão que conciliar um trabalho que não tem nada a ver com jornalismo, à vida pessoal, à faculdade e às reuniões nas associações que lhes dão direito a um desconto de aproximadamente R$ 300,00 na mensalidade.

Estudantes de jornalismo que estudam em centros universitários particulares participam de reuniões em associações como a ATST (foto) - juntamente com estudantes de outras profissões - para conseguir um desconto. A maioria desses estudantes de jornalismo não atua na área de jornalismo. Foto: educarparavida.com.br
Estudantes de jornalismo que estudam em centros universitários particulares participam de reuniões em associações como a ATST (foto) – juntamente com estudantes de outras profissões – para conseguir um desconto. A maioria desses estudantes de jornalismo não atua na área de jornalismo. Foto: educarparavida.com.br

Logo, uma hora ou outra, os estudantes que trabalham na linha de produção de fábricas, os que atuam como atendentes em telemarketing e os que estão empregados nos mais diversos escritórios ou tipos de trabalho e, ao mesmo tempo, matriculados no curso de jornalismo em um centro universitário particular, terão que resolver um dilema:

  1. Escolher continuar no emprego atual;
  2. Escolher atuar na área de jornalismo.

Considerando que o total a ser pago num curso de jornalismo pode chegar a R$ 20 mil (levando em conta o desconto fornecido a quem participa de alguma associação como a Associação dos Trabalhadores Sem Terra, ATST) é bem lógico que todos os estudantes queiram fazer logo a mudança da opção 1 para a opção 2 citadas acima.

A primeira alternativa de mudança é o estágio. Estágios na área de comunicação costumam pagar algo em torno de R$ 600,00. A outra alternativa é ingressar no jornalismo freelance e, para isso, é preciso aprender a fornecer pautas para os veículos de comunicação. E para acostumar-se a essa rotina, um dos caminhos é a organização de um arquivo de pautas.

Como organizar um arquivo de pautas

De acordo com o livro “Jornalismo Diário – Reflexões, Recomendações, Dicas e Exercícios” da jornalista da Folha de S.Paulo, Ana Estela de Souza Pinto, pauta é:

“Uma proposta de reportagem, um projeto de cobertura. É o exercício mais importante – e talvez o mais difícil – que todo aspirante a jornalista deve fazer”

Ainda, segundo Ana Estela, a pauta serve para propor uma reportagem, orientar um repórter, orientar a edição. Sendo assim, os estudantes de jornalismo devem aprender a fazer isso o quanto antes. E uma das maneiras de apresentar boas pautas aos veículos de comunicação é montando um arquivo com auxílio da engenharia reversa.

Opa, como é que é? Engenharia reversa? Isso mesmo. Esse termo é muito usado no mundo digital, eletrônico e mecânico, e designa aquilo que foi feito ou analisado do fim para o começo, exatamente como faremos com o nosso arquivo. Isto é, não vamos começar escrevendo uma pauta, mas comprando um arquivo de pastas suspensas.

Arquivos de pastas suspensas como este podem custar entre R$ 30 e R$150, dependendo do material, do número de pastas e da loja, é claro. Foto: Kalunga.com.br

Arquivos de pastas suspensas como este podem custar entre R$ 30 e R$150, dependendo do material, do número de pastas e da loja, é claro. Foto: Kalunga.com.br

Um arquivo de pastas suspensas como o da fotografia acima tem pelo menos cinco pastas (outras pastas podem ser anexadas posteriormente) e cada uma delas será usada para arquivar um determinado assunto ou editoria. Veja a seguir alguns exemplos de editorias e os assuntos que podem ser encontrados dentro de cada uma delas:

  • Esporte: Futebol, tênis, vôlei, basquete, paraquedismo, etc.;
  • Religião: Católicos, muçulmanos, espíritas, etc.;
  • Cultura: Livros, música, teatro, cinema, etc.;
  • Cidade: Trânsito, polícia, hospitais, etc.;
  • Política: Congresso, leis, cotidiano da presidenta, etc.;
  • Informática: Novos softwares, novos hardwares, novos games, etc.

Escolhemos, então, cinco editorias e ‘mergulhamos’ dentro de cada uma delas até encontrar os assuntos de nosso interesse, como no exemplo a seguir:

  1. Esporte – Futebol – Palmeiras – Primeira divisão;
  2. Religião – Católicos – CNBB – A Igreja no Brasil;
  3. Cultura – Livros – Jornalismo – Novos autores;
  4. Cidade – Polícia – Crime – O desenrolar de casos não resolvidos;
  5. Informática – Novos Softwares – Smartphones – Iphone.

No exemplo, refinamos quatro vezes cada editoria, mas poderíamos ter ido mais adiante até encontrar um assunto para o qual estivéssemos dispostos a tratar e escrever por um longo tempo. Feito isso, é só escrever na etiqueta de cada pasta suspensa as designações de assunto.

A engenharia reversa e o jornalismo freelance

Pasta vazia, mas identificada com a editoria. Agora é só encher a pasta com material sobre o assunto principal que, futuramente, irá gerar inúmeras pautas. É a engenharia reversa a favor do jornalismo freelance. Foto: ainformatica.com.br

Pasta vazia, mas identificada com a editoria. Agora é só encher a pasta com material sobre o assunto principal que, futuramente, irá gerar inúmeras pautas. É a engenharia reversa a favor do jornalismo freelance. Foto: ainformatica.com.br

A título de exemplo, vamos escolher a editoria “1. Esporte”. Temos uma pasta suspensa vazia e em sua etiqueta está escrito “Palmeiras – Primeira Divisão”. Logo, passamos a colocar dentro dessa pasta tudo o que encontrarmos de relevante na mídia sobre o Palmeiras. Dia após dia, é o que faremos. Reportagens, notícias, notas, artigos, qualquer coisa sobre o Palmeiras na primeira divisão será recortada e colocada dentro da pasta. E quando não couber mais nada na pasta, então será a hora de usar duas pastas… Três pastas… Quantas forem necessárias.

Com o tempo, compramos um papel pautado para anotarmos alguns telefones importantes como:

  • Assessoria de Imprensa do Palmeiras;
  • Num dia qualquer, ligamos na Assessoria de Impresa do Palmeiras e pegamos os telefones pessoais dos jornalistas que trabalham lá. Faremos tudo isso sem exigir nada. Diremos que estamos escrevendo um artigo sobre a história do Palmeiras “Campeão do Século” para o nosso blog de jornalismo esportivo. Entrevistamos, escrevemos e pegamos os telefones;
  • Noutro dia, vamos ao Centro de Treinamento do Palmeiras e pegamos mais alguns telefones importantes de jornalistas, radialistas e repórteres de TV que lá estiverem. Levamos o nosso gravador e pedimos uma palavrinha deles para colocarmos entre aspas no texto que estamos escrevendo para o nosso blog. Mas não esqueçamos de bater um papo com o segurança, o porteiro, o motorista do ônibus e da moça que opera a cantina, e de pergarmos os telefones deles também.

Vamos ligar para essa gente com alguma frequência para saber das novidades e para pedir novas entrevistas. Se houver algum trabalho a fazer para a aula de “Técnicas de Reportagem”, então, esta é uma boa hora para testar as fontes que vínhamos cultivando há algumas semanas. Ligamos para elas e marcamos mais entrevistas.

Guardamos o nosso papel pautado com os telefones dentro da pasta suspensa. Mais tarde, anotaremos nele outros telefones que forem surgindo. Arquivamos também os vídeos e os áudios com as entrevistas que fizemos para o trabalho de “Técnicas de Reportagem”. Escrevemos e, posteriormente, guardamos a reportagem corrigida pelo professor no nosso arquivo.

A esta altura, temos bastante informações sobre o Palmeiras. É quando chega as férias. São 30 dias nos quais nós tentaremos emplacar uma pauta num jornal ou revista sobre esporte. Outra coisa, o tempo passou e agora já temos dois ou três semestres de experiência na faculdade. Então, decidimos que vamos escrever sobre a “Arena Palmeiras”. Um projeto audacioso.

Levantamos as informações que temos no arquivo que estamos cultivando há meses e escrevemos a pauta. Procuramos nas bancas as revistas e jornais que falam sobre esporte. Escolhemos um(a) e ligamos, perguntamos se eles trabalham com jornalistas freelances, enviamos a pauta por e-mail. Eles dizem:

– Não… Não gostamos dessa pauta. Não vai ficar legal…

Puxa… Quantos “nãos”! Mas nós, porém, não desistimos. Ligamos para outro veículo de informação. Melhoramos a pauta tendo como base na experiência anterior. Enviamos a pauta para o nosso novo editor e… “Bingo!”. Ele aceita e nós começamos a redigir nossa primeira matéria. E assim que ela for publicada, o que faremos? Nós a arquivaremos em nossa pasta suspensa e começaremos tudo outra vez. Descobriremos outra pauta, melhor que a primeira. Procuraremos novos veículos de comunicação e, assim por diante.

Em breve, saíremos do nosso emprego na linha de produção no qual passamos oito horas diárias produzindo solas de sapato. Agora chegou a hora de utilizar os sapatos… sapatos de jornalista ;).

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Sobre Naldo
Jornalista e escritor.

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