Cyberbullying – Fenômeno virtual que atinge a vida real


•	De acordo com a ONG Safernet, de defesa dos direitos humanos na internet, o cyberbullying é causa de preocupação para 16% dos jovens brasileiros

• De acordo com a ONG Safernet, de defesa dos direitos humanos na internet, o cyberbullying é causa de preocupação para 16% dos jovens brasileiros

Jornalismo Freelance apresenta uma entrevista sobre cyberbullying com o advogado e diretor da Consultoria Gestão.Adv.Br, Gustavo Rocha.

As perguntas para essa entrevista foram elaboradas pelo autor desse blog, o estudante de jornalismo da UniSant’Anna, Naldo Gomes, em colaboração com a, também, estudante de jornalismo da UniSant’Anna, Elisabete Aguiar. Essa entrevista é parte da aula de “Edição”, da professora Cláudia Costa e completa a reportagem “Cyberbullying – Fenômeno virtual que afeta a vida real” a ser publicada no jornal “A Pauta é Nossa” do curso de Jornalismo da UniSant’Anna.

Cyberbullying é uma prática que tem se tornado comum. Situações em que modernas tecnologias da comunicação como celulares e internet são utilizadas para práticas de humilhação do próximo têm ocorrido no mundo inteiro.

Elisabete e Naldo: Sempre existiram brincadeiras do tipo “tiração de sarro”, antes mesmo do     surgimento da internet. E a partir de uma determinada época essas brincadeiras foram se intensificando, se tornando uma forma de humilhação a algumas pessoas. Você acha que a facilidade de acesso a rede pode ter contribuído para o aumento e intensidade desta prática?

Gustavo Rocha: O fato é que estamos cada vez mais conectados. Estamos numa era em que estamos ao mesmo tempo próximos e distantes. Próximos pela facilidade do contato. Distantes, pois não nos importamos com o próximo e nos preocupamos apenas conosco. O bullying é uma forma negativa de expressão humana. É uma forma de ridicularizar, ofender, em alguns casos amedrontar outra pessoa de forma anônima ou aberta. Ou seja, somente tomamos este tipo de atitude quando estamos sem mais argumentos racionais para agir.

Socialmente temos uma educação mais preocupada com o retorno financeiro do que o desenvolvimento pessoal do aluno, o que proporciona uma reação social natural: Os alunos de hoje são os homens do amanhã.

Afirmar que as redes sociais são as responsáveis, não concordo. Elas são o meio atual. Mas o autor do cyberbullying somente o faz porque não tem elementos de maturidade, afirmação e razão para agir de outra maneira.

E&N: Na sua opinião, o surgimento de programas de TV como o “Pânico”, que fazem brincadeiras que costumam vexar as pessoas, podem incentivar o cyberbullying?


Rocha: A realidade é que as pessoas gostam de ver as outras em situações ruins, pânico e desespero. Por que o BBB faz sucesso? Por que o pânico faz sucesso? Porque alguém o assiste. Mais uma vez, penso que a educação é a solução. Se ao invés de chamarmos de heróis pessoas confinadas numa casa, brigando, xingando, fazendo sexo ao vivo, nós ensinássemos os alunos a ler, pensar, raciocinar, não teríamos uma evolução social negativa como hoje acontece em determinados meios.

Os programas são os meios. Se nós – educadores, adultos pensantes – permitimos que nossos filhos, colegas deles e crianças sejam “educadas” por estes programas, teremos um futuro cada vez pior neste aspecto.

E&N: O cyberbullying tem a ver com a tolerância na sociedade? A nossa geração é mais intolerante que as outras?

Rocha: Um comparativo entre as gerações causa diferenças, divergências, mas não radicalidade. Temos hoje uma inversão de valores: A tecnologia ao invés de nos auxiliar a termos mais tempo, faz com que tenhamos menos tempo. Todavia, aqueles que realmente podem pensar a respeito de si mesmos, podem conhecer o melhor e pior de si, não irão ser intolerantes. Falta educação. Falta ensinar as pessoas a serem críticas e não apenas aceitar tudo como verdade.

E&N: Quando se trata de cyberbullying há ataques feitos por adultos contra as crianças e jovens. Existe alguma lei que considere este ato como crime e que tenha penalidades previstas? Há algum caso em julgamento ou que já foi julgado sobre o tema? 

Rocha: Neste site encontrarás um artigo completo que responde integralmente o teu questionamento:

DireitoNet.

E&N: Alguns autores disponibilizam textos na internet, argumentando sobre a tendência de pessoas que já sofreram de cyberbullying têm a repetirem o ato contra outras pessoas. Isso é inteiramente verdade? Existem pesquisas que comprovam isso?

Rocha: Desde os anos 80 se escrevia o que chamávamos da teoria do oprimido: Se tu foste oprimido, no dia que assumires um posto de chefia, irás oprimir. Não é uma regra 100% verdadeira, contudo tem o seu fundo de verdade. Devemos orientar, educar, ensinar as crianças a verem a situação de agressão de uma maneira racional e evolutiva, com apoio profissional, lógico.

E&N: Um tipo de cyberbullying que ocorre com frequência é a exposição da intimidade de uma pessoa como forma de prejudicá-la. Como evitar este tipo de situação?

Rocha: A principal regra é: desconfie. Seu namorado (a) quer você pelado (a) em fotos no celular? Boa coisa não é. Estas situações normalmente acontecem porque as pessoas confiam que as outras nada farão com as fotos, vídeos, etc. Outra situação que ocorre é termos na TV, vídeos, filmes e seriados cada vez mais uma banalização do sexo e da violência. Matar e fazer sexo podem ser pra qualquer um, em qualquer situação. Daí, crianças de 12, 14, 15 anos colocam fotos “sensuais” nas redes sociais, achando que imitam o ator, cantor, etc. Pronto, temos crianças que sem ter a maturidade necessária estão no “mercado” sendo alvos de buscas sexuais. Nestes casos, os pais devem ser amigos dos filhos, acompanharem o que eles fazem, onde estão colocando suas fotos, etc. O mesmo vale para seus dados. Têm crianças e adolescentes que colocam tudo no Orkut, quem são, pais, avós, onde moram, telefone, etc. Qualquer um pode localizar esta pessoa.

E&N: Redes sociais como Orkut e Facebook são grandes provocadoras de fofoca. A fofoca por sua vez prejudica, porque difama. Isso também é considerado cyberbullying? Como permanecer nas redes sociais e ao mesmo tempo evitar esses constrangimentos?

Rocha: Fofoca é dizer algo de alguém de maneira escondida. Literalmente “falar pelas costas”. Já no cyberbullying o indivíduo ofende, fala mal, cria verdadeiras situações que não existem e põe para todos verem. Para atuar nas redes sociais e evitar constrangimentos, seja discreto, desconfie de quem não conhece, não fale de sua vida privada, bem como não saia ofendendo outras pessoas.

E&N: Com a criação do Decreto nº 51.290 que regulamenta a Lei nº 14.957 que, por sua vez, trata da inclusão de medidas de conscientização, prevenção e combate ao bullying escolar no projeto pedagógico das escolas públicas, os casos de cyberbullying diminuirão?

Rocha: O Decreto é exclusivo de São Paulo, não tem validade nacional. O texto é interessante, visa a educação, contudo, sem ações práticas e reais nada vai funcionar.

Precisamos educar e dar exemplos. Isto sim pode mudar a situação.

Anúncios

Sobre Naldo
Jornalista e escritor.

One Response to Cyberbullying – Fenômeno virtual que atinge a vida real

  1. Pingback: Um ano de Jornalismo Freelance « Jornalismo Freelance

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: