A medida de todas as coisas


O Planeta saturou. Quatro dias depois do dia da árvore, a humanidade passou a consumir 40% a mais do que o ambiente pode oferecer. Isso significa que, desde 25 de setembro de 2009, nós estamos usando serviços ecológicos extras e que é preciso 1,4 Terras ao ano para suportar o nosso estilo de vida. O cálculo foi feito pela Global Footprint Network e demonstra o impacto que os avanços tecnológicos do século 20 estão provocando no ambiente.

Esse desrespeito à natureza provém da fome insaciável do homem pelo poder e é só por meio da tecnologia que ele pode se tornar um micro deus. Isso foi demonstrado no curso das duas grandes guerras mundiais. Mas o que se vê hoje é que o desenvolvimento de uma nova tecnologia pela ciência está orientado para o mercado. Então, tudo o que é inventado é para ser vendido e nesse sentido Deus é o lucro.

O resultado é uma economia movimentada, aliada a uma superpopulação que consome e polui de maneira voraz a natureza. As invenções do automóvel, das máquinas, das vacinas, de medicamentos avançados, etc., contribuíram para uma melhoria momentânea, mas agora, essas tecnologias se voltam contra nós de uma maneira que pouca gente no início do século XX imaginou.

Em 1854, o Chefe Seattle enviou uma carta ao presidente dos Estados Unidos, Franklin Pierce (que fizera uma oferta por uma grande área do território indígena) demonstrando a importância da natureza para o bem de todos. “Cada parte da Terra é sagrada para o meu povo”, diz num trecho. Porém, nem Pierce e nem os presidentes que vieram depois dele levaram a sério as recomendações do longo comunicado desse chefe indígena que insistia em dizer que: “há uma ligação em tudo”. Parece que o homem humanista e iluminista é também, individualista demais para entender isso.

Contudo, diante de todos os problemas climáticos e da finitude dos recursos naturais é urgente reconhecer esse Planeta como sagrado. Mas para fazê-lo é necessário se curvar diante do mistério de que o homem não é o centro de tudo e nem a medida de todas as coisas.

Baixar

* Para fazer download – em aquivo PDF – desse artigo, clique aqui.

Anúncios

Sobre Naldo
Jornalista e escritor.

One Response to A medida de todas as coisas

  1. Pingback: Consumir, consumir, consumir… O mundo preso na hipnose do consumo « Jornalismo Freelance

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: